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Por Gustavo Fava e Rafaela Bortolini
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Em 2007 a Faculdade de Direito da UFMT comemora 50 anos. Nessa meia década de história o que não faltou forambatalhas a serem enfrentadas, tanto pelos alunos, como pelo corpo docente da Instituição. Dentre as mais relevantes, ressalte-se o esforço inicial pela implantação do primeiro curso de nível superior em Mato Grosso, a constante luta pela sua manutenção nos difíceis anos da ditadura, a batalha pela construção do primeiro prédio (no Centro de Cuiabá), e , por último, a luta pela construção do novo prédio (no campus da UFMT), pois há anos a FD funcionou em salas emprestadas da FAECC – Faculdade de Administração, Economia e Ciências Contábeis.
| Eliseu Cerisara, um dos alunos da primeira turma da FD, destaca o importante papel do Centro Acadêmico VIII de Abrilna formação da atual Faculdade de Direito da UFMT e esclarece alguns pontos da história da Instituição em seu relato:
“Entrei na faculdade em 1955, quando ainda era estadual. Ela funcionava no atual Liceu Cuiabano, e o Centro Acadêmico tem uma influência muito grande na formação da faculdade”. Cerisara é de Santo Angelo, Rio Grande do Sul, e veio para Cuiabá a serviço de uma colonizadora responsável pela fundação do atual município de Porto dos Gaúchos. Foi aluno, professor de diversas disciplinas, diretor e um dos colaboradores para a fundação do SAJ, atual Núcleo de Práticas Jurídicas da faculdade. Aposentou-se em 1995 |
| Segundo Cerisara, a faculdade de direito foi instituída durante o Governo de Fernando Correa da Costa (UDN), mediante projeto de lei do Deputado Cintra e funcionou nos anos de 1954 e 1955. Em 1956 assumiu o governo do Estado, João Ponce de Arruda, inimigo político de Fernando Correa e então, sob o pálio de supostas irregularidades, fecha a Instituição. Para Cerisara, o fundamento não passou de prelúdio, quando na verdade a motivação seria a antiga desavença política entre João Ponce (PSD) e Fernando Correa (UDN). |
| No entanto, muito embora sem atividades dentro da Faculdade paralisada, o Centro Acadêmico não deixou de lutar pelos seus ideais.O que o C.A. queria naquela época era a fundação da escola; primeiro lutamos pela escola, depois pela qualidade.”
“Na época não se discutia política, nós queríamos arrumar a nossa escola.” Neste ponto o ex-diretor enaltece os serviços prestados pelo 2º Presidente do CADI – Ênio Póvoas, cuja atuação contribuiu muito para a reativação das atividades da FD. |
| Através de conversas diretas com o Ministério da Educação e sucessivas viagens ao Rio de Janeiro, com passagens conseguidas por um funcionário da VASP, colega de quarto de Cerisara, a faculdade reabre em 1957, ainda estadual. |
| A fase estadual da faculdade teve fim no governo Juscelino Kubitschek, quando Filinto Müller, cuiabano, paraninfo da primeira turma de formandos e homem forte do governo, encaixou-a na lei nº 3.877, de 30.01.1961, que federalizava diversas instituições de ensino. Então federalizada, a FD caminhou até 1970, ano de criação da UFMT, quando passou a integrá-la como parte do Centro de Ciências Sociais. |
| Após narrar um pouco da história, o professor conta a saga da sede da faculdade:
“Na rua Barão de Melgaço, ao lado da Academia Mato-grossense de Letras, funcionava um armazém que recebia as mercadorias da rodo-ferroviária Noroeste, e na Comandante Costa esquina com a Rua Campo Grande, existia um terreno baldio. A faculdade queria um prédio próprio, e então fora pedido ao engenheiro João Timóteo, que elaborasse o projeto do prédio a ser instalado neste terreno.” Com a planta e a autorização em mãos, e a pedido do então diretor Alcedino Pedroso da Silva, o Centro Acadêmico levou a planta à apreciação do governador João Ponce de Arruda: “Fui ao encontro do João Ponce com um membro da diretoria, Elpidio Fresa, já falecido, e João Timóteo. Lembro que o governador assinou o projeto na própria planta. Foi então que, após a doação do terreno à FD, começou a construção do prédio; mas a FD funcionou muito tempo ainda no Liceu.”
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| O prédio a que se refere Cerisara é o que possibilitou a construção do segundo módulo da nova sede da FD. Muitos se referem a esse prédio como uma justiça tardia àquela que fora o embrião da UFMT, mas que até pouco tempo vivia sem um lugar próprio para seus trabalhos. As negociações foram bastante lentas e, segundo Cerisara, apenas surtiram efeito devido ao grande empenho do atual reitor, Paulo Speller, do diretor da Faculdade e dos Procuradores do Estado diretamente envolvidos no caso. Enfim, houve a assinatura do convênio. |
| “Estranhei muito o fato de, no ato da assinatura do contrato que resultou na construção, não haver ninguém da faculdade, com exceção do Diretor, o Prof Irigaray… nenhum professor, não tinha um aluno”.
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| “Aquele prédio que está lá é fruto de um esforço nosso, isso tem que ser documentado e sabido. Todos tiveram participação, mas o início deu-se pelo Centro Acadêmico.”
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| Hoje a faculdade está com a nova sede, fato este, que é apenas mais um ponto no quadro geral de mudanças pelo qual vem passando a FD. O curso de Direito, sempre bem conceituado em todas as avaliações feitas pelo MEC, sofre pela falta de estrutura e pela falta de professores efetivos, apesar do empenho e dedicação dos professores substitutos |
| Muitos definem como uma incógnita o fato dos bons conceitos atingidos pela FD, mas o fato é que estes só são possíveis pela qualidade das pessoas que fazem parte desta instituição repleta de problemas. |
Vencida uma batalha, e em uma frase do Prof. Cerisara, “A luta agora é outra”.
Fonte: Data Venia de Outubro de 2007
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